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Crise de Água no “Bairro dos Ricos”: Torneiras Secas e Banho de Caneca na Polana e Sommerschield

Residentes de prédios e casas de alto padrão enfrentam cortes de até 12 horas diárias para gerir o pouco stock disponível

Crise de Água no "Bairro dos Ricos": Torneiras Secas e Banho de Caneca na Polana e Sommerschield
Torneiras secas e banho de caneca na Polana e Sommerschield fustigam a elite de Maputo

O cenário é digno de zonas periféricas, mas a realidade instalou-se no coração da elite moçambicana.

Maputo – Nos últimos quatro meses, os bairros da Polana Cimento e Sommerschield — redutos de embaixadas, hotéis de cinco estrelas e da própria Presidência da República — enfrentam uma crise sem precedentes no abastecimento de água.

Desde outubro de 2025, o que era um serviço de luxo, pois nunca faltava na zona, tornou-se uma miragem. A nossa reportagem confirmou que o “status” não tem servido de escudo contra a precariedade da rede gerida pela AdEM/FIPAG.

O Calvário dos Condomínios de Luxo

A ostentação das fachadas esconde uma rotina de sacrifício. Em prédios de alto padrão, o som dos elevadores foi substituído pelo das motobombas que tentam sugar o pouco que resta nos reservatórios.

Banho de “Copinho”: Moradores de edifícios e casas luxuosos relataram à nossa equipa que o racionamento é severo. Há condomínios a impor cortes de até 12 horas diárias para preservar o stock que vale mais do que o ouro.

“Cheguei a casa e não havia uma gota no tanque”, desabafou um residente da Polana.

Custos Insustentáveis: Uma residencia na Av. Mártires da Machava, é o rosto desta indignação. Numa carta que a Miramar teve acesso, que foi dirigida à FIPAG, os moradores revelou que gastam, em média, 60.000 litros de água comprada por semana para garantir o mínimo funcionamento. e co direito a cobrança dupla: a água comprada externamente, ao ser despejada no tanque da residencia, acaba por passar pelos contadores da rede, forçando os residentes a pagar duas vezes pelo mesmo recurso.

As Justificativas da AdEM/FIPAG

A empresa pública tem emitido comunicados sucessivos tentando justificar as falhas, apontando causas naturais e técnicas:

Factores Climáticos: As chuvas intensas nas províncias de Maputo e Gaza provocaram o aumento do nível dos rios Umbeluzi e Limpopo.

Operação Condicionada: A Estação de Tratamento de Água (ETA) do Umbeluzi sofreu inundações parciais, o que obrigou a uma redução de 30% na produção (de 9.600 m^3/h para 6.600 m^3/h).

Avarias e Energia: Além da turvação da água bruta, intervenções técnicas de emergência e cortes de energia têm fustigado o sistema.

Promessas de 48 Horas que Não se Cumprem

Num comunicado datado de 12 de Fevereiro de 2026, a AdEM garantiu que o processo de estabilização estava em curso, prevendo o restabelecimento integral em 48 horas. No entanto, a equipa da Miramar constatou que, neste sábado, dia dos namorados, a água continua a não chegar às torneiras de muitos sectores na provincia de Maputo. 

O que antes era uma reclamação exclusiva das zonas menos favorecidas, agora une Maputo e região de uma ponta à outra: a sede por um serviço público de qualidade. 

Enquanto as soluções definitivas não chegam, resta aos empresários, ricos, famosos, políticos, governantes e diplomatas desta região nobre, o mesmo recurso de muitos moçambicanos: a compra de camiões-cisterna e o balde à mão.


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