As chuvas intensas que fustigam Moçambique causaram, em menos de um mês, a morte de oito pessoas e afectaram um total de 123.495 cidadãos. Segundo a última actualização do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), com dados referentes ao período de 21 de Dezembro a 13 de Janeiro, o país enfrenta um cenário de cheias e erosão que já destruiu totalmente 1.088 habitações e afectou parcialmente outras 2.701. Desde o início da época chuvosa em Outubro, o número acumulado de vítimas mortais em todo o território nacional já ascende a 94.
O balanço oficial aponta para danos em oito unidades sanitárias e 25 escolas, além do impacto crítico na rede viária, com três pontes, dez aquedutos e mais de 550 quilómetros de estradas condicionados. No sector agrário, a situação é igualmente preocupante: cerca de 44 mil hectares de cultivo foram inundados, dos quais 3.740 são dados como perdidos, prejudicando directamente a actividade de mais de 10 mil agricultores, sobretudo nas regiões centro e sul do país.
Para responder à emergência, foram abertos 21 centros de acomodação que chegaram a albergar mais de 12 mil pessoas deslocadas. Actualmente, dez destes centros continuam em funcionamento, prestando assistência a 4.451 cidadãos que perderam os seus lares ou foram retirados de zonas de risco. As províncias de Manica, Sofala, Zambézia e Maputo são as mais fustigadas, verificando-se uma subida preocupante dos caudais que ameaça forçar a retirada compulsiva de cerca de 400 mil pessoas na província de Gaza.
Perante este cenário, o Instituto Nacional de Meteorologia, emitiu um novo aviso vermelho, prevendo a continuidade de chuvas muito fortes e trovoadas severas até ao final desta semana.
O Presidente da República, Daniel Chapo, manifestou solidariedade para com as famílias fustigadas, reconhecendo a gravidade dos danos materiais e a perda irreparável de vidas humanas.
