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Moçambique Afunda no Ranking Global da Corrupção 2025 e Torna-se o Pior dos PALOP

Estar na posição 161 coloca Moçambique na "zona de perigo" global, onde a corrupção não é apenas um problema, mas sistémica

Maputo – O mais recente relatório da Transparência Internacional, divulgado no início desta semana e referente ao ano de 2025, traz um cenário alarmante para Moçambique.

O país registou uma queda acentuada na sua pontuação e classificação, consolidando-se entre as 20 nações mais corruptas do mundo e assumindo a posição de lanterna entre os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

A Queda Abrupta de Moçambique (2023-2025)

A análise dos dados revela uma deterioração significativa da integridade do sector público moçambicano no último ano.

  • IPC 2025: Moçambique obteve apenas 21 pontos (numa escala de 0 a 100), ocupando a posição 161 entre 180 países. Esta é a pontuação mais baixa registada pelo país em anos recentes, indicando um agravamento severo da percepção de corrupção.

  • Comparação com 2024: No relatório anterior (referente a 2024), Moçambique somava 25 pontos e ocupava a posição 146. Num único ano, o país caiu 15 posições no ranking global e perdeu 4 pontos na sua avaliação de integridade.

  • Contexto de 2023: Em 2023, o país também mantinha 25 pontos, o que demonstrava uma estagnação que agora evoluiu para um retrocesso drástico.

 

O que isto significa?

Estar na posição 161 coloca Moçambique na “zona de perigo” global, onde a corrupção não é apenas um problema, mas sistémica. O país está agora estatisticamente mais próximo de estados em conflitos profundos, como a Somália e o Sudão do Sul, do que das nações em desenvolvimento que mostram progressos.

2. Moçambique no Espelho da Lusofonia (PALOP e CPLP)

Um dos dados mais chocantes deste estudo é a ultrapassagem negativa de Moçambique em relação aos seus pares históricos.

O Pior entre os PALOP

Durante anos, a Guiné-Bissau ocupou frequentemente a posição mais baixa entre os países africanos de língua portuguesa. Contudo, em 2025, Moçambique caiu para o último lugar deste grupo específico.

País (PALOP) Ranking Global 2025 Pontuação (0-100) Situação
Cabo Verde 35.º 62 Melhor Classificado (Sólido)
São Tomé e Príncipe 70.º 45 Zona Intermédia
Angola 121.º 32 Melhoria Lenta, mas acima de Moçambique
Guiné-Bissau 158.º 21* Zona Crítica (Melhor que Moçambique no ranking)
Moçambique 161.º 21 Pior Classificado

(Nota: Embora Guiné-Bissau e Moçambique tenham pontuações idênticas ou muito próximas, os critérios de desempate e a ordenação do ranking colocam Moçambique numa posição inferior, em 161.º, tornando-o o novo lanterna vermelha).

Contexto CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa)

Quando alargamos a análise a toda a CPLP, Moçambique supera apenas a Guiné Equatorial, que continua a ter um dos piores desempenhos mundiais.

  1. Portugal: Caiu para a posição 46.º (56 pontos), mostrando sinais de estagnação e ligeiro retrocesso face a 2024.

  2. Brasil: Ocupa a posição 107.º (35 pontos), mantendo-se numa zona de desempenho fraco, muito abaixo da média global.

  3. Timor-Leste: Surpreende positivamente na posição 73.º (44 pontos), acima de gigantes como o Brasil e a par de nações com economias mais robustas.

  4. Guiné Equatorial: Posição 172.º (15 pontos), o pior da CPLP.

O Contexto Africano: Onde Fica Moçambique?

No continente africano, a disparidade é enorme. Enquanto países como Seicheles, Botsuana e Cabo Verde lideram com índices de transparência comparáveis a nações europeias, Moçambique afunda-se na cauda da tabela.

  • Moçambique (161.º) está agora no grupo dos 10 a 15 países mais corruptos de África, aproximando-se perigosamente de nações em guerra civil ou colapso institucional total, como a Líbia (170.º) e o Sudão (170.º).

  • A comparação com a vizinha África do Sul (um parceiro económico chave) mostra um abismo, com a África do Sul consistentemente acima dos 40 pontos, apesar dos seus próprios escândalos.

Os 5 Países Menos Corruptos do Mundo (2025)

No topo da tabela, os países que lideram o ranking partilham características chave: sistemas judiciais independentes, forte proteção à liberdade de imprensa e baixa tolerância social à corrupção.

  1. Dinamarca (89 pontos) – Líder mundial consistente.

  2. Finlândia (88 pontos)

  3. Singapura (84 pontos) – O único país asiático no top 5.

  4. Nova Zelândia (81 pontos)

  5. Noruega (81 pontos)

O que eles fazem diferente? Nestes países, o desvio de fundos públicos é a excepção, não a regra. Existem mecanismos eficazes para recuperar ativos roubados e a transparência nos contratos públicos é total.

Consequências da Corrupção para o Desenvolvimento de uma nação

Os dados deste estudo não é apenas números; tem efeitos práticos devastadores para o desenvolvimento dos países, conforme apontado pelos estudos da Transparência Internacional e análises económicas associadas:

  • Fuga de Investimento: Investidores sérios evitam mercados onde a “taxa de suborno” é alta e a segurança jurídica é nula. Uma nação com taxas criticas torna-se atraente apenas para capitais ilícitos ou predatórios.

  • Pobreza e Desigualdade: A corrupção sistémica desvia recursos da saúde, educação e infraestruturas, e com isso gerando diretamente dificuldade em prover serviços básicos à população.

  • Impunidade: O relatório de 2025 destaca que a corrupção caminha de mãos dadas com o enfraquecimento democrático. Em países com pontuações tão baixas, a justiça tende a servir o poder, e a impunidade perpetua o ciclo de pobreza.

O IPC 2025 serve como um “aviso”. Enquanto Cabo Verde e Timor-Leste provam que países da CPLP podem construir instituições sólidas, e Angola mostra lentos sinais de esforço, Moçambique segue em contramão, regredindo para níveis históricos. Sem uma reforma profunda que acabe com a impunidade, o país arrisca-se a normalizar a sua posição entre os estados mais corruptos do planeta.

Nos últimos anos, o Governo moçambicano tem anunciado novos mecanismos de combate a este fenómeno, tendo inclusive, aprovado uma estratégia de prevenção e combate à corrupção na função pública até 2032.


Fontes: Relatórios do Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional (2023, 2024, 2025) e dados comparativos da Trading Economics e agências.


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