
Maputo – Apesar de uma relativa acalmia imposta pela época chuvosa, o conflito em Cabo Delgado continua a somar vítimas. Dados atualizados divulgados esta semana pela ACLED (Armed Conflict Location & Event Data Project) indicam que a insurgência, que assola o norte de Moçambique desde outubro de 2017, já provocou um total de 6.418 mortos.
O mais recente relatório do monitor de conflitos, que cobre o período entre 8 de dezembro de 2025 e 11 de janeiro de 2026, aponta para a ocorrência de 17 eventos de violência no último mês, resultando em 13 óbitos. Embora as chuvas intensas de dezembro de 2025 e janieor de 2026 tenham restringido a mobilidade tanto dos insurgentes como das Forças de Defesa e Segurança (FDS), a violência não cessou por completo.
Contrariando a tendência de anos anteriores, onde a insurgência recuava significativamente durante as chuvas, o Estado Islâmico em Moçambique (EIM) manteve-se ativo, particularmente ao longo da costa dos distritos de Macomia, Mocímboa da Praia e Palma.
O relatório destaca uma “nova seriedade” nos confrontos, com as forças moçambicanas e os seus parceiros ruandeses a travarem combates diretos com os grupos armados. Um dos episódios mais graves reportados ocorreu a 24 de dezembro, na zona de Cogolo (Macomia), onde um ataque insurgente resultou na morte de cinco soldados das Forças de Defesa do Ruanda (RDF).
Adicionalmente, a 9 de janeiro, um veículo militar, alegadamente das forças ruandesas, foi atingido por um engenho explosivo na estrada N380, vital para a logística da província, evidenciando a persistência da ameaça nas vias de comunicação. Para além da insurgência armada, o relatório da ACLED chama a atenção para a fragilidade do tecido social no norte do país.
O relatório conclui que, apesar dos esforços militares, a insurgência demonstra resiliência, e o conflito de “baixa intensidade” deverá continuar a moldar a vida das populações de Cabo Delgado ao longo de 2026.
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