MAPUTO – O cenário é de alerta máximo e muita cautela para quem precisa de se fazer às estradas moçambicanas nestes dias. As “águas de Março”, que continuam a cair com intensidade sobre várias províncias, já não estão apenas a refrescar a terra; estão a ditar as regras da mobilidade. De Gaza a Tete, o rasto de destruição deixado pelas chuvas intensas forçou a Administração Nacional de Estradas (ANE) a emitir um comunicado de emergência nesta quarta-feira, 11 de Março, confirmando o que muitos automobilistas já temiam: o país está a circular “a meio gás”.
O coração da rede rodoviária nacional, a nossa N1, sofreu novamente um golpe preocupante na província de Gaza. No troço entre Xai-Xai e Zandamela, na zona de Chidenguele (km 64), a força das águas provocou uma infraescavação na berma, deixando a transitabilidade condicionada. Para quem viaja para o Norte ou desce para a capital, o aviso é claro: o perigo mora ao lado do asfalto. Ainda em Gaza, o cenário é mais crítico em vias secundárias, como a ligação Ndonga/Ndindiza e a N222 (Mapai/Maxaila), onde a plataforma da estrada foi simplesmente “engolida” pelo galgamento das águas.
“É uma situação de monitoria constante. As nossas equipas estão no terreno, mas a chuva que teima em não parar dificulta qualquer intervenção de vulto agora,” confidenciou uma fonte técnica ligada ao sector, espelhando a frustração de quem luta contra a força da natureza.
Subindo até Inhambane, a “terra da boa gente” enfrenta dificuldades severas. A estrada que liga Inharrime a Panda (R483) está totalmente interrompida devido a um corte no km 12. Quem pretendia visitar as praias da Barra também deve redobrar a atenção, pois a erosão ameaça cortar a via no km 5. Já em Tete, o desafio é para os “gigantes” das estradas; entre Madamba e Mutarara, apenas as viaturas com tração às quatro rodas (4×4) conseguem vencer o lodo e a humidade acumulada.
A ANE lançou um apelo que é, acima de tudo, um pedido de preservação de vidas: evitem a circulação de veículos com peso superior a 10 toneladas em estradas de terra batida. O solo está saturado, e o risco de camiões ficarem encravados — ou pior, causarem danos irreversíveis às vias — é elevadíssimo.
Para o cidadão comum, o “chapa” que transporta o sustento ou o empresário que aguarda a carga, o momento é de paciência e planeamento. A orientação é clara: antes de arrancar, informe-se. Em tempos de intempéries, a pressa não é apenas inimiga da perfeição; é um risco que o moçambicano não pode correr.
As equipas de manutenção permanecem em prontidão operativa, aguardando uma aberta no céu para lançar as primeiras intervenções de emergência. Até lá, o país segue de olhos postos nas nuvens e mãos firmes no volante.

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