A guerra no Irão, precipitada pelas tensões com os Estados Unidos e Israel, já começa a desenhar um cenário de incerteza para a economia global, com repercussões directas previstas para Moçambique. Sendo o Irão um dos principais actores do mercado petrolífero mundial, detendo cerca de 3% da produção, qualquer interrupção na sua logística tem o potencial de desestabilizar o mercado internacional.
Em entrevista à Miramar, o economista Vasco José explicou que o Estreito de Ormuz é o ponto crítico desta crise. Por ser uma via por onde passa grande parte do transporte mundial de crude, um eventual bloqueio ou “atrofiamento” logístico naquela região reduzirá drasticamente a oferta global, provocando uma aceleração rápida e acentuada dos preços do petróleo a nível mundial.
No caso específico de Moçambique, Vasco José sublinha que o país possui uma economia pequena e actua como um “tomador de preços” no mercado de importação. Isto significa que o país não tem capacidade de influenciar os valores internacionais, sendo obrigado a absorver as subidas. Se o preço do barril aumentar, o impacto na economia nacional será inevitável, afectando todos os sectores dependentes de combustíveis.
O economista alerta ainda que este aumento poderá agravar o desafio doméstico da falta de dólares no mercado moçambicano. Com o petróleo mais caro, o país precisará de gastar mais divisas para importar a mesma quantidade de combustível, o que piorará a situação financeira das famílias, e os efeitos seriam sentidos de forma mais severa no dia-a-dia, reflectindo-se no custo dos transportes, nas mensalidades escolares e no preço geral dos produtos de consumo.
Perante o envolvimento de outros países da região, os principais produtores do Médio Oriente já estão a adoptar medidas de segurança rigorosas e a reduzir a actividade comercial. Este abrandamento na produção e exportação, aliado à incerteza política, coloca Moçambique numa posição de vulnerabilidade externa, onde a gestão das reservas de divisas e a contenção da inflação se tornam prioridades urgentes para o Executivo.
