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CONFIRMADO: Mozal desliga fornos em Março de 2026 após colapso nas negociações energéticas

CONFIRMADO: Mozal desliga fornos em Março de 2026 após colapso nas negociações energéticas
Salvo um milagre de última hora, as chaminés de Beluluane deixarão de deitar fumo, arrefecendo perigosamente a economia nacional

A gigante do alumínio oficializou hoje (16 de Dezembro) o “apagão”. O impasse sobre o preço da energia, agravado pela seca na HCB, dita o fim das operações na Matola, ameaçando um rombo de 3% no PIB e milhares de empregos.

MAPUTO, 16 de Dezembro de 2025 — O cenário que muitos temiam confirmou-se hoje com o peso de um “balde de água fria” sobre a economia nacional. A Mozal S.A. anunciou oficialmente que irá suspender as operações na sua fundição em Beluluane a partir de 15 de Março de 2026. A decisão surge após o fracasso nas negociações para garantir o fornecimento de electricidade a preços competitivos, essenciais para a viabilidade daquela que é a segunda maior fundição de alumínio em África.

Samuel Gudo, Presidente da Mozal, descreveu o momento como “difícil”, sublinhando que o foco imediato passa agora a ser a segurança das equipas e a “suspensão segura e ordenada das operações”.

O “Nó Cego” Energético: Seca e Preços Altos

O “braço-de-ferro” entre a multinacional e o sector energético moçambicano, que se arrastava há meses, atingiu o ponto de ruptura. Embora tenha havido um envolvimento extensivo com as partes interessadas para renovar o contrato que expira em 2026, não foi possível chegar a um “acordo de cavalheiros” sobre uma tarifa que permitisse à fundição competir internacionalmente.

A situação complicou-se dramaticamente devido a factores climáticos. A Mozal, que consome cerca de 950 MW, viu a sua dependência da rede regional aumentar devido às condições de seca severa que afectam a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB). Historicamente alimentada pela HCB, a escassez de água forçou a importação de quantidades significativas de electricidade da Eskom, na África do Sul, a custos insustentáveis.

Este cenário choca de frente com a nova política de “Soberania Energética” defendida pelo Governo do Presidente Daniel Chapo. O Executivo tem reiterado que o país não pode continuar a subsidiar megaprojectos à custa da saúde financeira da HCB. “Não podemos aceitar tarifas que levem a HCB ao colapso,” afirmam fontes governamentais, sinalizando o fim da era da energia barata, mesmo que isso custe a paragem da “jóia da coroa” industrial.

Cronograma do Encerramento e Rombo Financeiro

Com a confirmação oficial, o relógio para o encerramento já começou a contar. A administração da Mozal confirmou que, dadas as circunstâncias, as matérias-primas necessárias para operar para além de Março de 2026 não foram adquiridas.

O cronograma prático desenha-se da seguinte forma:

  • Dezembro de 2025: Início dos cortes na importação de matérias-primas.
  • Fevereiro de 2026: Início do desligamento gradual das instalações.
  • 15 de Março de 2026: Suspensão total das operações.

O impacto financeiro é sísmico. A South32, accionista maioritária com 63,7% da Mozal, já reconheceu uma imparidade (perda de valor) de 372 milhões de dólares norte-americanos na sua operação em Moçambique.

“Se a Mozal tosse, a Matola apanha gripe”

Nas ruas da Matola e arredores, o clima é de apreensão total. A Mozal não é apenas uma fábrica; é o motor que alimenta centenas de Pequenas e Médias Empresas (PME). O encerramento ameaça mais de 4.000 empregos directos e indirectos e coloca em risco uma cadeia de valor que representa cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB).

Em anonimato, um empresário local do sector de catering, resume o desespero: “Se a Mozal tosse, a Matola apanha gripe. O meu negócio depende 80% dos contratos com eles. Se fecham as torneiras, vou ter de mandar 20 jovens para casa.”

Apesar do anúncio do fecho, a empresa reivindica o seu legado. Nos últimos nove anos, a Mozal investiu aproximadamente 26 milhões de dólares em projectos sociais, incluindo infraestruturas, educação e saúde. A empresa garante que está a dialogar com os sindicatos e o governo para mitigar o impacto sobre os colaboradores, bem como a consultar fornecedores e parceiros comunitários.

O Fim de uma Era?

A Mozal, detida pela South32, IDC da África do Sul (32,4%) e pelo Governo de Moçambique (3,9%), foi durante 25 anos o símbolo da industrialização de Moçambique no pós-guerra. Agora, enquanto os “tubarões” da finança calculam prejuízos e o Governo mantém a sua postura de soberania, o cidadão comum vê aproximar-se a data fatídica. A 15 de Março de 2026, salvo um milagre de última hora, as chaminés de Beluluane deixarão de deitar fumo, arrefecendo perigosamente a economia nacional.

vide nota oficial da Mozal: South32 comunicado à imprensa – Atualização de Mozal (P)


 

 

 


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