Com 81 anos de idade, o presidente do Uganda, Yoweri Museveni, procura renovar a sua liderança para um sétimo mandato consecutivo. No poder desde 1986, o governante sustenta a sua continuidade com base no crescimento económico e na estabilidade alcançados nos primeiros anos de governação, período em que implementou reformas neoliberais e investiu na reconstrução da infraestrutura nacional.
Outro ponto relevante da sua administração foi a resposta proativa à epidemia de VIH/SIDA na década de 1990, através de amplas campanhas de saúde pública.
Apesar do progresso inicial, a presidência de Museveni tem sido caracterizada por práticas autoritárias. Para prolongar a sua permanência no cargo, o líder ugandês promoveu a remoção dos limites de mandato em 2005 e a eliminação do limite de idade em 2017. Estas alterações constitucionais foram acompanhadas por denúncias de fraude eleitoral, repressão à oposição política e violações dos direitos humanos. No plano internacional, o governo de Uganda tem atraído condenações devido à promulgação de leis anti-LGBTQ+ extremamente severas.
A influência de Museveni ultrapassa as fronteiras de Uganda, com o país a desempenhar um papel ativo em conflitos regionais, nomeadamente no Ruanda e na República Democrática do Congo. Internamente, o Estado enfrentou diversas insurgências, como a do Exército de Resistência do Senhor (LRA), mantendo o foco no combate a grupos rebeldes para garantir a segurança nacional. No balanço geral, a sua governação é marcada pela contradição entre a estabilidade económica e o fechamento do espaço democrático no país.
