No âmbito da sua visita oficial à sede da União Europeia, o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, apresentou esta segunda-feira, uma visão estratégica ambiciosa para posicionar Moçambique como o pilar central de energia e logística na região da SADC.
Durante uma mesa-redonda com o Governo Federal e empresários da Bélgica, o estadista destacou que a estabilização da segurança no norte do país foi o factor decisivo para a revitalização dos megaprojetos de gás natural na bacia do Rovuma. Chapo revelou que, após a interrupção causada pelo terrorismo, as atividades do projeto da TotalEnergies em Afungi foram reiniciadas em fevereiro último, avançando ainda que o Governo mantém um diálogo produtivo com a ExxonMobil, prevendo-se o anúncio da decisão final de investimento para agosto ou setembro deste ano.
A estratégia de industrialização nacional, segundo o Chefe de Estado, será impulsionada pelo uso inteligente do gás doméstico para a produção de fertilizantes e o desenvolvimento de novas centrais de energia, como a de Temane, em Inhambane. Para além dos hidrocarbonetos, Moçambique reafirmou a sua vocação para as energias renováveis, apresentando a Hidroeléctrica de Cahora Bassa como uma peça fundamental que já abastece seis países vizinhos.
O Presidente convidou formalmente o setor privado internacional a investir no projeto Mphanda Nkuwa, que terá uma capacidade de 1.500 megawatts, consolidando o papel de Moçambique como solução para o défice energético regional.
No plano logístico e tecnológico, o Presidente Chapo enfatizou a modernização dos três corredores de desenvolvimento — Maputo, Beira e Nacala — como portas de entrada estratégicas para o interior do continente. Com o apoio do Ministério das Comunicações e Transformação Digital, o país ambiciona complementar estas rotas físicas com “corredores digitais”, investindo na instalação de centros de dados que aproveitem a abundância energética nacional para servir toda a região da SADC.
A modernização do Porto de Nacala, reconhecido pelas suas águas profundas, é vista como um dos activos mais importantes nesta transformação tecnológica e logística.
Daniel Chapo reiterou que Moçambique possui um ambiente de negócios acolhedor e uma estratégia clara de desenvolvimento. O convite foi alargado aos investidores belgas, especialistas em industrialização verde e gestão portuária, para que se juntem ao capital moçambicano na exploração do potencial agrícola, turístico e mineral do país.
O estadista concluiu afirmando que o país está aberto a parcerias público-privadas que gerem emprego e promovam uma transformação económica sem precedentes, convidando todos a contribuírem para a construção de um Moçambique próspero e conectado com o mundo.

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