Os Estados Unidos da América e o Irão observaram uma pausa nos confrontos militares nesta segunda-feira, após quatro dias de intensas trocas de ataques no Golfo Pérsico. O abrandamento das hostilidades ocorre num momento de forte incerteza sobre o futuro das negociações destinadas a pôr fim ao conflito, com Washington e Teerão a emitirem sinais contraditórios sobre os próximos passos diplomáticos.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, utilizou as redes sociais para anunciar que a administração iraniana solicitou uma reunião com os homólogos norte-americanos, a qual estaria agendada para esta terça-feira em Doha, no Qatar. Contudo, a versão foi prontamente desmentida por Kazem Gharibabadi, um dos principais negociadores do Irão, que assegurou que não existem novos encontros calendarizados entre as partes.
O chefe de Estado norte-americano tem multiplicado esforços para salvaguardar o frágil acordo provisório alcançado no início do mês, ameaçado pelos recentes incidentes no Estreito de Ormuz. A estabilidade do acordo é vista como crucial para a economia global, uma vez que a subida dos preços do crude poderá pressionar a inflação e afectar a campanha de Trump para as eleições de Novembro.
O pacto preliminar em vigor prevê que Teerão proceda à diluição das suas reservas de urânio enriquecido em troca do levantamento das sanções económicas impostas pelos EUA. O documento estabelece ainda a reabertura do Estreito de Ormuz e fixa um prazo de 60 dias para que ambas as nações negoceiem um acordo de paz mais abrangente.
Num esforço para legitimar o processo junto da opinião pública iraniana, o Presidente do Irão, Masoud Pezeshkian, declarou publicamente que cerca de 6 mil milhões de dólares em activos iranianos que se encontravam congelados serão libertados pelo Qatar. A declaração surge numa altura em que o controlo estratégico de Teerão sobre a região do estreito continua a ser colocado à prova.
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