Miramar News Moçambique MISA-Moçambique lança relatório sobre o estado da desinformação no espaço digital 

MISA-Moçambique lança relatório sobre o estado da desinformação no espaço digital 

O MISA-Moçambique, através da sua unidade de verificação de factos MISACheck, publicou o seu mais recente “Relatório Sobre o Estado da Desinformação no Espaço Digital em Moçambique 2025”. O documento, lançado em Maputo, aponta que a desinformação no país deixou de ser um evento isolado para se consolidar como um problema contínuo e estrutural que ameaça o debate público e a integridade democrática.  

Durante o ano de 2025, o sistema de monitoria da organização identificou pelo menos 81 casos confirmados de desinformação. Desse total, o “falso” — caracterizado por conteúdos totalmente fabricados e inventados — foi o grau de veracidade mais predominante, representando mais de 86% das ocorrências, o que equivale a 64 casos.  

O relatório detalha ainda que foram registados 10 casos de informação manipulada ou enganosa e sete de cariz não comprovado.  

Actores políticos e falsas ofertas de emprego sob mira 

Num cenário de forte polarização, a esfera política e os seus actores continuam a ser os alvos preferenciais das redes de desinformação. O relatório destaca a circulação de falsas alegações envolvendo figuras de destaque, tais como o Presidente da República, Daniel Chapo, o antigo estadista Filipe Nyusi, e os líderes políticos Venâncio Mondlane e Ossufo Momade. Muitas destas publicações inventavam falsas mortes, detenções ou conspirações institucionais.  

Para além da vertente política, os contrafactores exploraram as vulnerabilidades socioeconómicas da população, com particular enfoque no desemprego jovem, através de múltiplos esquemas de fraude e burla digital disfarçados de anúncios de emprego institucionais, como um falso recrutamento para o Instituto Nacional de Estatística (INE), ou falsos subsídios e propostas salariais irrealistas para a função pública.  

O uso de canais digitais e o mimetismo da imprensa digital 

O braço analítico do MISA realça que os promotores da desinformação utilizam, maioritariamente, o anonimato e pseudónimos nas redes sociais. A estratégia mais comum baseia-se no mimetismo pseudo-jornalístico, através da criação de páginas que adoptam termos como “News” ou “Notícias” no nome e a adulteração de marcas de órgãos de comunicação social convencionais como a TV Miramar, a TVM e a Tua Televisão, com o intuito de conferir uma falsa legitimidade ao conteúdo fraudulento.  

No que toca aos canais de propagação, a rede social Facebook mantém-se como o principal epicentro de disseminação massiva devido ao seu elevado alcance em Moçambique, enquanto os grupos fechados da plataforma WhatsApp actuam secundariamente como importantes correias de transmissão e redistribuição rápida de mensagens, áudios e ligações externas nocivas.  

Face ao diagnóstico de poluição do espaço público, o MISA-Moçambique preconiza uma abordagem multissectorial urgente e recomenda ao Governo a introdução de conteúdos de literacia mediática e digital nos currículos escolares, além da melhoria na rapidez e transparência da comunicação institucional. Aos órgãos de comunicação social, a agremiação propõe a criação de unidades internas especializadas em fact-checking.  

Por fim, o documento exorta os cidadãos a realizarem uma verificação rigorosa das fontes antes de qualquer partilha e a consultarem plataformas independentes como o MISACheck para travar a cadeia de desinformação. 


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