A Federação Moçambicana de Empreiteiros (FME) decidiu quebrar o compromisso de confidencialidade que mantinha com o Integrity Vice Presidency (INT) do Banco Mundial, denunciando publicamente a falta de transparência sobre as investigações do Projecto “Move Maputo”.
A federação recorda que, desde janeiro de 2024, submeteu denúncias formais sobre graves irregularidades na contratação da empresa China Jiangxi International, mas passados dois anos sobre o alerta inicial e sete meses após entrevistas técnicas, o Banco Mundial recusa-se a partilhar os resultados do inquérito, alegando que a FME é um “terceiro” no processo.
O repúdio da FME baseia-se no facto de ser a entidade denunciante e de ter agido de boa-fé ao aceitar o silêncio solicitado pelas equipas internacionais. No entanto, perante a resposta recente de que o inquérito não será partilhado, a federação considera a conduta do INT inaceitável, acusando o órgão de desrespeito institucional e de criar uma percepção de protecção a “maus actores”.
O comunicado sublinha que as consequências das supostas irregularidades e da má qualidade das obras são visíveis diariamente para os cidadãos da Área Metropolitana de Maputo, especialmente após as recentes chuvas que expuseram falhas dramáticas no escoamento de águas.
Perante o que classifica como um bloqueio informativo, a FME exige agora respostas públicas e claras do Banco Mundial sobre se as irregularidades foram confirmadas e que medidas de responsabilização serão tomadas.
A federação estende a sua cobrança à Procuradoria-Geral da República (PGR), lamentando que, quase um ano após os últimos contactos formais, ainda não exista uma posição conclusiva sobre o mérito da denúncia.
Para a FME, a manutenção deste silêncio apenas beneficia a corrupção e a má governação, reafirmando que continuará a lutar pela transparência e pelo uso correcto dos fundos públicos em Moçambique.
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