O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan foi recebido com honras de herói nacional em Mogadíscio, após regressar ao seu país devido à recusa de entrada em território norte-americano. A decisão das autoridades dos Estados Unidos inviabilizou a sua participação na equipa de arbitragem do Campeonato do Mundo de Futebol.
À chegada a um estádio local, Artan desfilou perante uma moldura humana composta por centenas de adeptos que exibiam bandeiras da Somália, entoavam cânticos e realizavam coreografias em seu apoio. O ambiente festivo nas bancadas dividiu-se com o sentimento de frustração partilhado pelos cidadãos, que consideram a exclusão do juiz uma injustiça assente em motivações políticas.
O impedimento imposto ao juiz africano adiciona mais um capítulo de contestação às políticas migratórias implementadas por Washington na antevisão do torneio global. No ano passado, a administração liderada por Donald Trump decretou uma proibição abrangente de viagens que restringe a entrada de cidadãos oriundos de 12 nações, lista na qual a Somália se encontra incluída.
Omar Artan estava qualificado para se tornar o primeiro cidadão de nacionalidade somali a dirigir partidas na fase final de um Mundial da FIFA. Contudo, a restrição ganhou contornos definitivos após ter sido formalmente barrado pela Agência de Alfândega e Protecção de Fronteiras dos Estados Unidos.
Em comunicado, o Executivo somali enalteceu o percurso do profissional, que conquistou o galardão de Melhor Árbitro Masculino da Confederação Africana de Futebol (CAF) em 2025, sublinhando que o seu desempenho constitui um motivo de elevado orgulho nacional.
Por seu turno, a FIFA distanciou-se do diferendo diplomático, clarificando que não possui prerrogativas de intervenção sobre as directrizes soberanas de imigração dos países organizadores.
A federação internacional confirmou ter sido notificada pelas autoridades norte-americanas de que a decisão era irreversível, o que inviabilizou a integração do árbitro nas sessões de preparação e nas escalas de jogos do torneio co-organizado por Estados Unidos, México e Canadá, que arranca oficialmente esta quinta-feira.
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