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Epidemia de ebola deixa 10 países africanos sob ameaça, alerta agência de saúde

República Democrática do Congo tem quase 750 casos e 177 mortes suspeitas

Não existem vacinas ou tratamentos aprovados para a variante rara do vírus ebola Stringer/Reuters - 23.05.2026

Dez países africanos, além da República Democrática do Congo (RDC), correm o risco de serem afetados pelo vírus ebola, alertou neste sábado (23) a Agência de Saúde da União Africana (África CDC).

“Temos dez países em risco” de serem afetados, disse o presidente da África CDC, Jean Kaseya, durante uma coletiva de imprensa.

Esses países são:

  • Sudão do Sul
  • Ruanda
  • Quênia
  • Tanzânia
  • Etiópia
  • Congo
  • Burundi
  • Angola
  • República Centro-Africana
  • Zâmbia

Há quase 750 casos suspeitos e 177 mortes suspeitas na RDC, um país com cerca de 100 milhões de habitantes onde a epidemia “se espalha rapidamente”, alertou a OMS (Organização Mundial da Saúde) na sexta-feira (22).

Esta epidemia, a 17ª a afetar a RDC, “é a segunda maior que temos conhecimento no mundo”, afirmou Kaseya.

O ebola causa uma febre hemorrágica mortal, mas o vírus, que provocou mais de 15.000 mortes na África nos últimos 50 anos, é menos contagioso que a covid-19 ou o sarampo.

Na ausência de uma vacina e de um tratamento aprovado para a cepa Bundibugyo do vírus, responsável pelo surto atual, as medidas para tentar conter sua disseminação baseiam-se principalmente em medidas de barreira e na detecção rápida de casos.

Risco nacional e regional

Na quarta-feira, a Organização Mundial da Saúde disse que o risco de disseminação do surto de ebola registrado na República Democrática do Congo e em Uganda é considerado alto em nível nacional e regional, mas segue baixo no restante do mundo.

O alerta foi divulgado em meio à preocupação com o avanço da doença na África Central. Segundo a OMS, o surto já provocou mais de 130 mortes suspeitas e pode durar pelo menos mais dois meses, de acordo com integrantes da equipe da organização que atuam no Congo.

Na terça-feira (19), a OMS já havia demonstrado preocupação com a “escala e velocidade” da disseminação do vírus e classificou o episódio como uma emergência de saúde pública de interesse internacional, medida adotada em situações que exigem resposta coordenada entre diferentes países.

O surto envolve uma variante rara do vírus, conhecida como Bundibugyo, para a qual aindanão existem vacinas ou tratamentos aprovados. Segundo especialistas, a doença circulou por semanas sem ser detectada porque autoridades locais investigavam inicialmente outra cepa mais comum do ebola, cujos testes deram negativo.

Com o aumento dos casos, moradores do leste do Congo relataram alta nos preços de máscaras e produtos desinfetantes. Equipes de saúde e organizações humanitárias tentam ampliar as medidas de contenção para evitar a propagação da doença.

O virologista Jean-Jacques Muyembe afirmou que o Congo aguarda o envio, pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido, de doses experimentais de uma vacina desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Oxford para diferentes tipos de ebola. Segundo ele, os testes devem avaliar a eficácia do imunizante contra a variante atual.


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