O número de casos suspeitos de Ébola na República Democrática do Congo (RDC) ultrapassou a barreira epidemiológica dos mil, à medida que o actual surto se expande pelas províncias orientais do país.
O balanço foi avançado no mais recente relatório de situação emitido pelo Ministério da Saúde congolês, fixando em 1.077 o total acumulado de infecções suspeitas. Desde a declaração oficial da epidemia, a 15 de maio, o país vizinho contabilizou 121 casos confirmados em laboratório e 238 óbitos suspeitos.
A crise sanitária afecta já 13 zonas de saúde distribuídas pelas províncias de Ituri, Kivu do Norte e Kivu do Sul, permanecendo a região de Ituri como o epicentro do surto. Esta vaga representa a 17.ª epidemia de Ébola registada no historial da RDC.
As análises laboratoriais identificaram que o contágio é provocado pela estirpe Bundibugyo, uma variante relativamente rara do vírus e para a qual, ao contrário da variante Zaire, não existem vacinas ou tratamentos específicos aprovados, elevando a complexidade da resposta humanitária.
Perante o agravamento do cenário transfronteiriço, o Governo do Uganda ordenou o encerramento imediato das suas fronteiras terrestres com a RDC. O Ministério da Saúde ugandês justificou a medida de restrição com a necessidade de travar o fluxo migratório informal, apontado como o principal vector de importação do vírus, após a confirmação de que cidadãos congoleses doentes cruzaram a fronteira antes da activação do alerta internacional.
Apenas equipas médicas autorizadas, missões humanitárias, transportes de carga alimentar e contingentes de segurança estão autorizados a circular sob rigorosos protocolos de triagem e isolamento.
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