O número de casos confirmados de Ébola na República Democrática do Congo (RDC) ultrapassou a barreira dos mil, fixando-se em 1 003 infecções, de acordo com o mais recente balanço epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde do país.
Até ao momento, as autoridades registaram 254 mortes, o que representa uma taxa global de letalidade de 25,3%. O relatório indica ainda que 365 doentes se encontram em isolamento hospitalar e 100 recuperaram da infecção. Contudo, a taxa de rastreio de contactos nas três províncias afectadas fixou-se nos 58%, um valor significativamente abaixo da meta de 95% estipulada pelas autoridades sanitárias.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que este surto se localiza na região oriental da RDC, uma zona fustigada pela sobreposição de conflitos armados e crises humanitárias. A forte movimentação de populações e o elevado número de deslocados internos, que frequentemente carecem de bens essenciais como alimentação, água potável, abrigo e assistência médica, têm exercido uma enorme pressão sobre as acções de prevenção.
Adicionalmente, o aumento de incidentes de segurança contra instalações de saúde tem condicionado o acesso das equipas de resposta, perturbado a vigilância epidemiológica e elevado o risco de transmissão comunitária não detectada.
O surto actual, confirmado inicialmente na província de Ituri e classificado pela OMS como uma “emergência de saúde pública de importância internacional”, é causado pela estirpe Bundibugyo. Esta variante do vírus, que provoca febre hemorrágica transmitida pelo contacto directo com fluidos corporais infectados, não possui actualmente vacinas licenciadas ou tratamentos específicos disponíveis.
Embora a taxa de letalidade deste surto esteja fixada em cerca de 25%, as autoridades alertam que a gravidade clínica da doença pode, historicamente, fazer oscilar a mortalidade entre os 50% e os 90%.
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